Sábado, 25 de agosto de 2007 (daqui a quatro meses será o Natal)
2007, um ano não muito contente. Muitas separações, algumas para sempre. Famílias perderam seus entes queridos em tragédias estúpidas: o menino no Rio, o metrô em São Paulo , os aviões que se chocaram no ar, o avião que não conseguiu parar, a ponte nos Estados Unidos. A dor, a saudade, a separação, o que foi e o que fica no coração. Emoção!
Alguns passaram tristezas, e agora alegrias. Há sempre em algum lugar um sorriso contente, e também há sempre, em algum lugar, lágrimas a cair. Outros continuam sós e sozinhos. Alguns amaram, se machucaram, choraram, deixaram de amar e voltaram a amar: são felizes! Outros, amaram, machucaram e foram machucados, e, ainda que distantes, continuam amando. Se desapegar é difícil..., mas às vezes, necessário.
2007, um ano triste para mim, e ele ainda nem acabou. Resta-me ainda uma felicidade branda, serena... de ver as pessoas que eu amo felizes, prosperando, amando, ainda que não me amem, dando certo na vida! Ainda que para mim..., tudo, ainda que diferente, mudado, continue o mesmo. De certa forma, nem subir, nem descer: estar na mesma! Na mesma mesmice talvez, ainda que diferente e mudado, ainda que tenha aprendido mais e... sentido mais, e apenas isso – que é muito. Sem ter um largo sorriso no rosto e o brilho que as crianças carregam nos olhos.
Estou em casa sozinho, numa noite de sábado. Hoje não tem balada. Hoje não tem nada – com o muito que tenho. Apenas eu, meu coração com os sentimentos neles..., a caneta, a tinta, o papel, o silêncio no quarto, a mão a correr rápido sobre o caderno na cama, descuidada da caligrafia, e o vazio... apenas o vazio: Um vazio cheio, quieto, sereno e conformadamente contemplativo, só que pra dentro.
2007, esperei tanta coisa! Hoje espero coisa alguma a mim mesmo, exceto aquilo que sei que é certo aos outros; seja um pouco de sucesso, felicidade, amor e fama, seja outra coisa. A mim, gostaria que as estrelas me dissessem à noite, “você ainda está no coração de alguém” e que quando amanhecesse o sol me sorrisse com um “bom dia, toda a felicidade do mundo a você”. Mas, idealizações são apenas idéias.
2007 ainda tem quatro meses companheiros, eu tenho minha família, uns amigos que amo, mesmo que distantes, e pessoas que não são minhas amigas, não querem ser, mas eu amo mesmo assim. E além disso? Tenho o vazio, a saudade, um certa melancolia e a poesia – que ainda me resta na minha prosa. Talvez seja eu um eterno romântico..., mas não destes destinados a serem a felizes – a não ser nos poucos momentos em que dou umas largas e sinceras gargalhadas.
2007, talvez o afastamento para sempre, a perca para sempre...
Mas, desapegar é preciso, e tão difícil!
2007, eu e a solidão, ainda que acompanhada.
Queria ter meus amigos juntos de mim, o brilho que as crianças têm nos olhos, manter o enxergar de poeta, ter sempre companhia para dividir gargalhadas, mas também para me ouvirem... enquanto choro ou digo coisas que parecem sem sentido – eu também os ouviria. Queria sempre manter um sorriso jovial estampado no rosto, mas, uma hora, ele sempre se vai.
2007! Pensei que seria feliz para sempre, mas não fui... para sempre.
Rápido e intenso! Forte e marcante! E apenas isso, ou tudo isso: o todo, o tudo... para sempre... na memória, talvez no coração.
Queria ter meus amigos sempre juntos de mim, recuperar a fé e quem sabe encontrar a Deus. Por enquanto? Apenas não entendo as coisas direito ainda, mas estou tentando aprender; aceitar talvez seja um primeiro passo.
Que inveja tenho de todos os miseráveis que passam fome e ainda rezam! Têm fé, têm esperança... como as tive na infância. Talvez em algum lugar, um grupo de pessoas, podem ser amigos, podem ser uma família, podem ser namorados, ou pessoas que acabaram de se conhecer, estejam se abraçando agora... E tudo isso é bonito! Tudo isso é lindo! E os corações se entrelaçam. Talvez haja sorrisos e gargalhadas no ar. Eu permaneço sozinho, e o silêncio grita tanto, que poderia até ensurdecer... Eu apenas escrevo. Apenas escrevo... e escrevo.
Meu maior desejo era ter uma companhia, ainda que dormindo um pouco longe, mas que tivesse me ligado a noite apenas para eu ouvir sua doce voz e meu coração se acalmar batendo forte. Mas eu? Eu tenho amor, mas não tenho um amor. Este é o meu maior sonho! E 2007 levou... Talvez o vento traga um outro. Até lá, espero.
Texto de: Francisco Maximiano da Silva (todos os direitos reservados).
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
12:45 PM
30.3.07
Meu amor, vc simplismente não existe!
Eu não sei escrever assim, pra poder te dar uma resposta do quanto eu amei esse poema.
Aliás , esse foi o poema que mais amei!
Você é minha vida. como quero sempre você!
Eu quero tanto você que me dói, e quando te tenho, te tenho sempre como se fosse a primeira vez, porque você é sempre singular, mesmo quando se sabe o que pensa e o que quer.
A gente ainda vai se ver hj e eu vou te dar um enorme abração e ficar com vc à noite na casa da sua mamys, que agora também é minha família que eu tô adorando muito e sinto saudades.
Fique com deus coração da minha vida.
TE AMO MUITO!
SIMONE STEDILE CARVALHO
(30 de novembro de 2006)
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
3:48 PM
Meu amor, fico feliz que pensa em mim, como eu fico feliz!
Mais ainda em saber que quando reza, pede por mim, lembra de mim.
Eu não tenho o hábito de rezar, devería ter mais, mas com certeza meu desejo de estar contigo, de te fazer feliz, de viver minha vida com vc, é maior que qualquer coisa...
Eu sei que hoje a gente não pode ter um filho juntos, e sei que temos tantos obstáculos na vida pra passar...Sei que ainda estamos começando a trilhar essa estrada que espero ser longa.
E por causa disso, dessas minhas certezas, é que tenho uma certeza maior: que você é o meu homem, e um dia será pai do meu filho.Então, que tudo corra tão leve como o desabrochar de uma rosa, que tem seu tempo pra brotar, crescer e abrir um botão tão lindo, que todo mundo vai olhar e querer ter um botão de rosas como a nossa!
Eu te amo, tá!
Simone Stedile Carvalho (27 de novembro de 2006)
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
3:46 PM
22.3.07
"O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberce, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acaba..."
(1 Coríntios 13: 4-8)
"Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor."
(1 Coríntios 13: 13)
"Então, que tudo corra tão leve como o desabrochar de uma rosa, que tem seu tempo pra brotar, crescer e abrir um botão tão lindo, que todo mundo vai olhar e querer ter um botão de rosas como a nossa!"
Simone Stedile Carvalho
Para ter lábios atraentes, diga palavras doces.
Para ter olhos belos, procure ver o lado bom das pessoas.
Para ter um corpo esguiu, divida sua comida com os famintos.
Para ter cabelos bonitos, deixe uma criança passar seus dedos por eles pelo menos uma vez ao dia.
Para ter boa postura, caminhe com a certeza de que nunca andará sozinha.
Pessoas, muito mais do que coisas, devem ser restauradas, resgatadas e redimidas. Jamais jogue alguém fora.
Lembre-se que se alguma vez precisar de uma mão amiga você a encontrará ao final do seu braço. Ao ficarmos mais velhos descobrimos porque temos duas mãos: Um a para ajudar a nós mesmos e a outra para ajudar ao próximo.
A beleza de uma mulher não está nas roupas que ela veste, nem no corpo que ela carrega, ou na forma de pentear o cabelo. A beleza de uma mulher deve ser vista nos seus olhos, porque esta é a porta para o seu coração, o lugar onde o amor reside.
A beleza de uma mulher não está na sua expressão facial, mas a verdadeira beleza de uma mulher está refletida em sua alma. Está no carinho que ela amorosamente dá, na paixão que ela demonstra.
A beleza de uma mulher cresce com o passar dos anos...
A mulher foi feita da costela do homem, não dos pés para ser pisada, nem da cabeça, para ser superior, mas sim do lado, para ser igual, debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada.
O melhor relacionamento é aquele onde o amor um pelo
outro é maior do que a necessidade de um pelo outro.
"Sempre que você se desentender com alguém, lembre-se que em pouco tempo você e o outro estarão desaparecidos deste mundo. Evite brigar. Evite confrontos. Não alimente rancores".
"Sem tranquilidade de alma, mesmo tendo tudo nada temos".
"Quanto menor for o coração,
mais ódio ele pode abrigar."
Sou uma pessoa em reforma.
Estou me reformando para ser uma nova pessoa.
De hoje em diante vou viver a minha vida e ser feliz;
Sem depender dos outros para isso.
A partir de hoje, 1º de fevereiro de 2007, sou uma pessoa em mudança
Para melhor!
Serei mais sincero com os outros e comigo mesmo,
Com os meus sentimentos.
Serei mais compreensivo,
Mais seguro de mim.
De hoje em diante,
Vou manter o que é bom em mim
E cortar pela raiz,
Extinguir tudo aquilo que é mau.
De hoje em diante vou sair e conversar mais.
De hoje em diante serei uma pessoa mais agradável.
De hoje em diante serei uma pessoa melhor!
Eu juro!
Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
12:40 PM
24.3.06
Se fosse acim
Que se escrevesse assim,
Inventariam um e mil motivos
Para se escrever acim.
Mas como acim se escreve assim.
Fiquemos assim então,
Com dois esses nos esses e nos assins,
E també até o fim nos tempos que passarão
Enquanto os poemas passarinho.
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
2:01 PM
10.3.06
Tempos Passantes.
Fui de todos e nada fui.
Agora!,
Talvez nem os deprimidos
Se lembrem dos meus gemidos:
Fui de muitos e não tive nenhum.
E no fim, o que é do que foi de mim?
Passaram segundos,
Passaram minutos,
Passaram horas,
Dias,
Anos fim.
Passou o que fica
E meu coração passou sem ficar.
E passaram lembranças
Das esperanças do outrora
Fora depois juras de amor de desmentidas
E me fizeram chorar
Até que as lágrimas secaram,
As esperanças passaram,
As andanças atrás de quem sou
E me faria feliz se findaram.
Passou o tempo
E eu fiquei...
Ou quem fui?
A que nunca no tempo encontrou quem...
( A amasse? )
E nunca foi si mesma...
Poema: Francine Maria Reis ( heterônimo feminino )
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
3:32 PM
20.2.06
Em algum ponto a poesia
Cançou e caiu
Num dia que não nascia
Versos que ninguém viu:
Versos sem dias perdidos
Em dias dias sem versos,
Sem emoção e pensamentos diversos.
Então, quando todos os poemas esquecidos
E todos os poetas que não faziam escritos
Foram proscritos,
Todo os Cosmos tornaram-se ridículos e acabaram-se os universos...
Sem sentido nenhum,
Os deuses passaram a murchar como flores mortas;
Foi quando seus corações fecharam todas as portas
E tombaram esquecidos, um a um.
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
5:21 PM
9.2.06
Canavial
Produção:
Mínimo de 6,5 toneladas ao dia.
Um golpe para cinco canas.
Rostos e corpos
Suados, encarvoados e empoeirados
Com a cabeça enrolada em trapos
Debaixo de chapéu palha e sol quente
Sem pensar em versos...,
Sem nunca ler versos.
Versos pra quê?!
Versos não tombam cana
E nem pagam salário.
No canavial a vida
Resume-se nisso:
Tombar de cansaço ao fim do sia,
Acordar amanhã antes do sol,
E com braço, coragem e facão,
Tombar elefantes de sol à sol,
Sem lirismos, bela fotografia e comoção.
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
QUEM me dera poetizar
Como o brilho das estrelas
No resplendor de diamantes,
Alimentados pelas chamas
De um coração ardente,
Que delirante e dançante...
Emana calor em versos
Feito aquarelas pintadas
Sem pincel nos corações.
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
É PROVÁVEL que nem a morte
Revele algum sentido para as coisas;
E nisso consiste um dógma ateu.
Mas é verdade, que com ou sem Hades,
O sentido das coisas só existe por nós:
Somos deuses ao dar sentido às coisas.
Nosso maior milagre é quando damos um sentido à nós mesmos;
Milagre grande,
De tão certo que somos certos de sermos incertos...
E eu também.
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
"É preciso saber presevar-se: a mais dura prova de independência." Nietzsche
"Tudo o que somos é resultado que pensamos. Se uma pessoa fala ou age com mau pensamento, o sofrimento a segue como as rodas seguem as patas do boi que puxa o carro. Se uma pessoa fala ou age com pensamento puro, a felicidade a segue, como a sombra que não a abandona - enquanto está na luz". Sidharta Gautama - Buda.
Césares Perdidos
Nunca fui César ou símbolo de César
Cá na existência que levo;
Nem tive o respeito em meus versos,
Que os césares, em suas existências,
Tiveram ou julgaram ter.
Também, por não ser lembrado na história,
Não fui esquecido como todos os césares
E homens grandes perdidos
Na memória borrada dos alunos de História.
Porém,
Já esperei algo de meus versos:
Que eles pudessem continuar para além do que continuarei.
Mas vi, e não medi o quanto entendi,
Que na didática dos poemas se aprende muito,
Inclusive sobre ser ser humano,
E também sobre a inutilidade de escrevêlos.
Porém, diria Goethe:
"De que serve o eterno criar
Se a criação em nada acabar".
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
"Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Isso me alegra, montão". Riobaldo Tatarana, personagem de João Guimarães Rosa em Grande Sertão:Veredas
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
11:18 AM
31.1.06
Flores Impossíveis
Hoje,
Quero rosas e lírios
À beira dum rio
Onde crescem orquídeas
E flores impossíveis
À margem só de um inexistente mar sem fim.
Hoje,
Quero estar sem mim,
À beira de vida e existência.
Quero estar de canto
Cantando versos sem nexos.
Quero dar olvido para as imagens
E olhos impossíveis para os sons.
Dar de cara com os minutos compridos
E ver o tempo em marcha lenta.
Sem explicação,
Sem ação,
Sem unidade e excitação.
Quero ver que cor tem o som do silêncio,
E que este me ensine a fazer
Os versos que não sei.
Se pudesse, queria saber
Onde se escondem os mistérios;
E brincaria de esconde-esconde com eles...
Mas eu não sei nada!
Então!,
Queira eu a sabedoria,
Que se fosse concreta,
Viria no cheiro duma flor impossível
Que cresce à beira dum mar sem fim,
Numa praia confusa e sem areia,
Unidade e nexos.
Hoje,
Quero os pensamentos vagos
Sem vontade e mensagens nenhumas.
Flores,
Só flores:
Orquídeas, rosas
E lírios também.
Flores impossíveis e sem nexo
Com o cheiro da emoção,
Da inspiração
E da loucura.
Poema de: Francisco Maximiano da Silva.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
11:30 AM
25.1.06
TUDO É uma prisão.
E eu?,
Talvez um cão,
Sabido de rua,
Fuçando o chão à procura de um destino.
Ao menos por um momento ninguém.
Ter a indiferença diamantina de carvão cristalizado
Na geologia das eras.
Desarmar a alma
Para desaprender a amar.
Não botar laços
E também não cair em nenhum.
Todos os momentos eternos
São ternos o quanto quisermos
Na efemeridade dos tempos perdidos
Que nos damos...a alguém.
Que sopre o tufão
Todos os afetos de meus versos.
Não quero ninguém,
E nem mesmo alguém.
Seria hedonismo?
Seria narcisismo?
Levar a vida a dedicar meu afeto a mim mesmo.
Fui e já não estou.
Nem sequer sou o que fui,
Porque nunca se é o mesmo
Se é um ser;
E um ser preso na liberdade das determinações da alma
Que quem sabe será autônoma.
Contudo,
Nem mesmo o eu me prende a mim:
Sonho com quebra-cabeças de peças sem encaixe,
E não encaixo em lugar algum.
Apenas sou o que não é,
E estranho-me.
Poema de: Frank Leber.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
8:42 AM
18.1.06
Poema IV de Fim de Festa
Poemas desabitados entre céu e outono,
sem pessoas, e sem gastos de transporte,
quero que não tenha ninguém por um momento em meus versos,
e não ver na areia vazia os sinais do homem,
marcas dos pés, papéis mortos, estigmas
do passageiro, e agora
estática névoa, cor de março, delírio
de aves do mar, petréis, pelicanos e pombas
de sal, o infinito
ar frio,
uma vez mais antes de meditar e dormir,
antes de usar o tempo e estendê-lo na noite;
por esta vez a sociedade marítima,
boca a boca com o úmido mês e a agonia
do verão sujo, para ver crescer o cristal,
como sobre a pedra ao inexorável silêncio,
como derrama o oceano sem matar sua energia.
Poema de: Pablo Neruda, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1971
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
11:47 AM
11.1.06
Turma do último exame, dia 22/12/2005. Eu sou o faixa preta em pé à esquerda do vídeo.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
11:05 AM
10.1.06
(C)alma Byron
Ora,
Que será de Ricardo Reis,
De seu mestre Guardador de Rebanhos?
Que será da tenebrosa sombra do Aconcágua?
E das idéias
Transportadas no lombo das burras palavras
Feito coisas pesadas?
Que será, pobre Byron,
Do matrinômio de Céu e Inferno
E dos que cirandam com letras
Sem sentido
No rol dos esquecidos como quem bebeu?
Que será, pobre Byron, do teu romantismo,
Ultra, última geração?
Que será, Byron,
Da razão como emoção,
E dos sentidos, dos pensamentos,
Sendo guardados por Caeiro,
No meio de cheiro de mato,
Que não acho bom ou não,
Mas estou de acordo e apenas cheiro?
E dos fora isso?
Ó!, que será dos fora isso?
Fora isso,
Acalme-se querido Byron:
"O poeta é um fingidor".
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
Utopia Onírica
Então,
Na imensidão insana,
Que ainda não estava
Em versos brasileiros
Ou de gente lusitana,
Disse num sonho que não levava
O som dos pandeiros
Na floresta mágica que partia lenha;
E depois, sentado num tronco sonhado,
Esperava a que me guardava
Em algibeira de coração.
E sonhando
Fui andando
Pra casa,
Voando a andar no ar,
E ao entrar disse-lhe
A surpresa de presente
Que a levava para dar:
"Já parti muita lenha,
Mas quero que venha
Devagar.
Isso...,
De olhos fechados",
Que cobri-lhes com as mãos,
E cheio de comoção,
Levei-lhe ao espelho,
"Acho que vai ser uma das coisas mais lindas
Que você já viu;
Mais linda que o Sol sonhado
Alaranjado a se por apanhado
Em silêncio iluminado,
Ou do que estrelas intensas num céu muito limpo
Em qual brilha como deusa do Olimpo".
Tirei-lhe devagar
As mãos que lhe vendavam os olhos,
E Ela viu a si mesma no espelho,
Linda de fazer chorar.
"Está vendo,
Não é linda?"
E Ela sorriu...
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
Poema Solar
Júpiter distante
Reina gigante
E sozinho
Na solidão de ser quase estrela,
E por ter anéis invisíveis,
Queima-lhe a inveja de rei dos nove,
Em núcleo quente de hidrogênio metálico,
De seu irmão,
Na mitologia seu pai,
Saturno dos anéis estonteantes.
Mas, do rei gigante
E seus princípes gasosos
De hidrogênio e metano,
Para além do cordão de pedras,
De Júpiter até Urano e Netuno,
O que nas suas gigantesas lhe atiça
A inveja olímpica dos deuses
É só o terceiro, próximo a chama da vida:
Pálido ponto azul mal cuidado,
Que ainda singra vivo pela imensidão
De um infinito negro
Carregando os filhos de Adão.
E plutão, gelado,
Segue distante,
Calado e frio.
Só acompanhado
Por seu barqueiro descarnado,
Caronte na imensidão gelada
E indiferente.
E a Terra?
Ainda viva,
Segue quente
... E azul.
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
"Olhos à frente, a Alma atrás.
A vista física só
Funciona à frente
A da Alma às costas
Precisa ficar".
Poema de: Eiko Suzuki.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
2:55 PM
6.1.06
Receita para rejuvenescer
( Lição de poética )
A lição de poética começa assim:
Não tente interpretar um poema,
Um poema diz o que diz.
E se te disserem que o dia nublado vai ser feliz,
Diga sim.
Feito o prefácil, comecemos então.
Lição do dia:
Ria,
E se ver um passarinho,
Sossegado numa árvore
Ou pousado como rei num fio,
Diga pra ele assim:
"Bom dia amiguinho!"
E se ele sair voando,
Acene com um adeus como que para um amigo
Que volta depois.
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
JÁ HOUVE dias de memória antiga
Em que já fui menor por fora
E, quem sabe, maior por dentro
Que a coragem e sonhos de todos os homens grandes:
Grande como uma criança.
A criança que já fui,
O Eu que já foi
O Sonhador
Visionário,
Corajoso,
Utopista saudoso,
Ou o Titã não mitológico e onírico,
Embora concreto de não há muito,
Com a força diamantina dos de pouca idade,
Fora enfrentar os deuses da realidade,
Montados em tronos celestiais de um Olimpo de dizeres e saberes.
E naquele tempo, triste de tão alegre,
Eu era o Titã, em corpo pequeno e a alma grande,
Que derrubava deuses sem sonhos,
Sem ilusão,
Sem comoção,
E sem esperança,
Criança corrida.
Hoje? Só lembranças,
E, quem sabe?,
Cinzas de esperança que possam incendiar como a fênix
E renascerem como o menino pequeno que já fui
E trazia a força de uma alma imensa.
Então,
Os sonhos é que viriam a ressuscitar
E o poeta aprenderia a amar.
Se me amam,
Logo existo.
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
A TEMPESTADE cadente
E demente,
Gélida, prata e molhada,
Cai mortalmente
Sobre a morada
Dos excluídos de 31 de dezembro,
De toda gente sem rosto que nem lembro,
Dos excluídos de todos e de tudo;
E que quando podem,
Na liberdade famélica para jantar fora,
Tomam a felicidade da inconsciência em goles baratos:
Zumbis não-viventes;
Pobre gente!
E a chuva,
Gélida e metálica como facas frias,
Furiosamente despenca cadente
Sobre a morada dessa gente
...A rua
Nua, asfáltica,
Cimentada e crua.
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
11:37 AM
30.12.05
Fim de Ano
( Em Interpretação de Notícia de Jornal )
Com um veludo negro dissimulei a razão,
Com um uivo apaguei minha inclinação para o celeste
Enquanto a lua nua e redonda
Levantava as ondas tingindo o mar de prata solitário.
Mas antes de partir voltei o rosto árido
E toquei a areia, acariciei as rosas,
E disse que era o defensor essencial dos rostos pálidos,
Dos anos não nascidos,
E que só de claridade viveria o homem à luz prata.
Depois...,
Os dias fecharam:
Ao mar me dei.
Poema de: Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
12:31 PM